Tânathos ...sub umbris

"...morrer é cair vertiginosamente na mais indesejável de todas as situações, já que o morto configura na íntegra o perfil do idiota, do mentecapto e daquele que não pode nem menear a cabeça para servir, nem levantar os punhos para rebelar-se.[...]" (Extraído do livro NECROCÍDIO, de Ézio Flavio Bazzo, Publicação Da Anta Casa Editora, Brasília, 1992, pp.48.) - Portanto, sendo de seu interesse e é claro, havendo condições, mantenha-se vivo!

quinta-feira, junho 11, 2009

Silêncio quase irreal...

Acerca da Postagem Inicial: (já que o morto por quase um ano, insiste em permanecer calado)

Le silence éternel de ces espaces infinis m'effraie”.

Compartilho a reflexão com o famoso pensador francês; Pascal estava coberto de razão, "o silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora"; explico melhor:

Por ocasião da morte do tecno-gasista [sic] Bernardo Roberto da Silva, compadecido postei no site Consultor Jurídico, literalmente, a seguinte Nota de Falecimento:

Lamento informar-lhes mas, após breve período em “estado vegetativo persistente”, faleceu ontem nesta capital, vítima de isquemia, ocasionada por “acidente vascular cerebral”, o senhor Bernardo Roberto da Silva. O corpo do ex-Técno-gasita (é tecno mesmo), será cremado amanhã dia 28/10/08, às 12:00h, no Crematório de Vila Alpina’.

Até ai nada demais, tudo estaria dentro do esperado não houvesse tido a inexplicável réplica (pressupõe-se, do além) postada pelo defunto no dia 29/10/08 às 21:54 h; na realidade a data da cremação de seu corpo.

Sim, faleci... mas a luta continua!

Isto posto, reitero: "o silêncio eterno desses espaços infinitos me apavora" mesmo porque, por quase um ano aguardo por um novo contato do falecido e nada; estive em centro espírita, terreiros de umbanda, candomblé e o ao que parece, o cidadão virou fumaça mesmo e isso é duplamente triste. É triste porque hoje faz exatos 13 anos da factóide explosão por gás sem queimados no Osasco Plaza Shopping, e triste também porque não poderei compartilhar com o falecido o interessantíssimo texto encontrado em “Nada mais foi dito nem perguntado” de Luís Francisco Carvalho Filho da editora 34 em Injúria na página 32.

Carta aberta a J... Você é um miserável, um infame, um canalha de marca maior, um vilão, um traste, uma vasilha muito ordinária, um pedante com fumaça de filósofo, um miserável (outra vez), um chichisbéu da literatura, uma alma de lacáio, um pulha, um belchior da jurisprudência, um caiapó da crítica e, sobretudo, muito canalha e muito infame; mas muito mesmo. É o juízo que faço a seu respeito e o que digo muito à puridade, ó cão lazarento! Está respondido”.

No caso, uma xingação de José do Patrocínio a Silvio Romero, da época do império assim: ‘Qualquer semelhança do texto transcrito com circunstâncias reais, pessoas vivas ou mortas ou fatos reais terá sido mera coincidência’ portanto, não me venham atirar sapatos, atropelar, bater, ou coisas do gênero. Ademais (como dizia o falecido) a Constituição brasileira de 1988, em seu Art. 5º. – Inciso IX garante: “é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença”.

Até a próxima... se eu não for o próximo é claro.

domingo, dezembro 28, 2008

A Morte

“Que homem, num desses momentos de tristeza que enchem a vida, não desejou a morte e que homem não se teria dado a morte, se isso dependesse de um simples ato de sua vontade?”.

J.P.Marat

...suas ocorrências:

"Com a morte, a circulação e a respiração são abolidas; o coração detido em diástole; a cavidade torácica, em expiração (daí as expressões "expirar" ou ainda "dar o último suspiro" utilizadas como sinônimos de morrer).

- Os músculos relaxam-se, bem como os esfíncteres: o cadáver "esvazia-se" espontaneamente de todos os excrementos. Sejam quais forem as condições da morte, os olhos abertos ou semifechados apresentam um aspecto vítreo, a pupila surge dilatada.

- Ao fim de 5 a 6 horas, o cadáver fica rígido, sob o efeito do ácido láctico que se acumula nos tecidos.

- Ao fim de 24 horas surge uma lividez cadavérica: manchas vermelho-escuras ou violáceas, devido à acumulação, do sangue, incoagulável, então, nas partes mais baixas do corpo deitado (nuca, ombros, nádegas) e que estão em contacto com a cama ou o leito do caixão. Depois, a rigidez cadavérica desaparece. É então que se deve proceder à inumação ou à cremação. No caso de o corpo não ser queimado, começará a necrosar-se (putrefação). Os primeiros sinais da necrose são a produção de gás e de líquidos pútridos de um odor insuportável.

- Se o cadáver demora a ser enterrado, atrairá as moscas azuis, que vão pousar nas aberturas naturais (em particular, narinas e boca). Estas moscas nunca são atraídas pelo vivo. A sua presença permite fazer imediatamente o diagnóstico de morte, mesmo que à distância, num indivíduo encontrado inanimado ao ar livre.

- Pouco depois surgem as grandes manchas verdes de putrefação, em particular no abdômen. Estas manchas espalham-se progressivamente por todo o organismo. Devem-se à multiplicação das bactérias que vivem normalmente no intestino, mas que já não são contidas pelas defesas imunitárias.

- Mais tarde, o corpo desidrata-se, a pele fica mirrada e apergaminhada, como que tendida, arrepelada sobre os ossos. As células nervosas não sobrevivem senão alguns minutos à anoxia. Depois dela, degeneram as células hepáticas, renais, glandulares. Os últimos sobreviventes são os epitélios (2 a 3 dias). Os cabelos, os pêlos, as unhas, continuam a crescer durante algum tempo, até sucumbirem também. Num indivíduo que se barbeie todos os dias, o comprimento dos pêlos do queixo pode dar uma idéia sobre a época em que ocorreu a morte. Do ponto de vista macroscópico, alguns órgãos, apesar de gravemente lesados e totalmente não funcionais, mantêm a sua forma anatômica, antes de ficarem reduzidos a uma sopa infecta que encherá, provisoriamente, o crânio, o tórax, o abdômen. O fígado desaparece à terceira semana, o coração e o útero entre o quinto e o sexto meses.

- Se fizermos o inventário de todos os organismos, denominados xenontes (bactérias, cogumelos, vírus, parasitas), que possui um indivíduo normal, podemos contar entre 100 e 200 espécies diferentes, conforme os casos.

- No estado normal, mesmo os cadáveres enterrados são vítimas de inúmeros predadores, que conseguem introduzir-se sempre nos túmulos mais bem fechados: pequenas aranhas, como acarídeos e os miriápodes, insetos e mesmo ratos.

- No plano químico, a água constitucional regressa ao solo, levando com ela sais dissolvidos e bactérias. Os glicídeos são decompostos álcoois, cetonas, ácidos orgânicos, que vão também para a terra. Alguns degradam-se até o estado de gás carbônico que se espalha pela atmosfera. As gorduras, relativamente estáveis, concentram-se em estalactites que prendem, moles e enormes, nos rebordos dos caixões. É a adipocera, ou a "manteiga dos cadáveres", bem conhecida dos coveiros, resultante da saponificação das gorduras humanas.
- Ao fim de cerca de um ano, o cadáver não é mais do que um esqueleto descarnado, ao qual se agarram ainda alguns pedaços de tecidos (ligamentos, tendões, restos de grandes vasos) mais ou menos parasitados por alguns coleópteros ou acarídeos.
A desunião dos ossos demora de 4 a 5 anos. Quanto aos ossos própriamente ditos, podem desaparecer por descalcificação e dissolução na água da chuva. Os dentes são os útlimos restos a desaparecer: atravessam, por vezes, milênios."(Extraído do livro O SEXO E A MORTE, de Jacques Ruffié, Publicação Dom Quixote, Lisboa, 1987, pp.230,231,232,233.)”.


‘(Transcrito literalmente (Português de Portugal), do livro NECROCÍDIO, de Ézio Flavio Bazzo, Publicação Da Anta Casa Editora, Brasília, 1992, pp.14,15,16.)’.